quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Planta invasora sufoca vegetação nativa do Parque do Rola Moça



Uma planta exótica está sufocando a vegetação do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O capim-meloso ou capim-gordura inibe o crescimento de vegetação nativa e agrava os riscos de incêndios florestais, já que, durante o inverno, transforma-se em uma palha seca que serve como combustível para as chamas. No final de 2011, a pedido da administração do parque, nove pesquisadores de diversas áreas se uniram para procurar soluções para acabar com a praga.

A coordenadora da pesquisa, Maria Rita Scotti Muzzi, que é professora do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em recuperação de áreas degradadas, resume o que chama de "ciclo vicioso": "O fogo abre espaços, o capim-meloso do entorno do parque ocupa esse espaço vazio, abafando e matando as plantas nativas, e cresce durante a temporada de chuvas. No outro ano, a palha seca serve de combustível, vem mais fogo e crescem ainda mais capins". A planta é super resistente, tem crescimento rápido e uma alta produção de sementes que se alastram ao vento.

A equipe de pesquisadores descartou, logo de cara, o corte ou uso de produtos químicos para combater a praga, devido ao risco de prejudicar também as poucas plantas nativas sobreviventes. A solução encontrada foi descobrir plantas nativas que conseguem competir com o capim-meloso. Essas espécies têm mecanismos de defesa contra o capim e, plantadas na região, poderiam minimizar o impacto da praga.

Segundo Muzzi, cinco espécies com essas características já foram descobertas pela equipe. No entanto, o combate ainda não começou. "As mineradoras usam o capim para recuperar cavas de mina nos arredores e a semente da planta chega pelo vento. O entorno do parque é totalmente tomado pelo capim-meloso. Não adianta tentarmos combater algo se a fonte é contínua", explica Muzzi.

A pesquisadora pontua que agora o trabalho vai focar na divulgação e conscientização dos danos ecológicos causados pelo capim-meloso, principalmente junto às mineradoras e aos condomínios, que utilizam bastante a planta como ornamento. Segundo ela, há espécies nativas que podem substituir o uso dessa praga sem danificar o ambiente.

Apenas depois de conter a plantação ao redor do parque é que o plano de manejo para o Rola Moça será realizado. Um trabalho que deve levar, no mínimo, seis anos para ser concluído.

Fonte: G1
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