segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Operação encontra 678 tartarugas capturadas ilegalmente



Uma operação conjunta realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Polícia Federal encontrou, em dez dias de operação, 378 quelônios vítimas da caça ilegal. A Operação Tabuleiro é realizada entre a vila de Santa Maria do Boiaçu e a cidade de Caracaraí, no Baixo Rio Branco, Sul de Roraima. Ela teve início no dia 29 de outubro e deve continuar até dezembro.

Os animais encontrados, como tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa) e tracajás (Podocnemis unifilis), estavam em currais, áreas onde são deixados pelos caçadores até o momento de embarcá-los e levá-los até a cidade de Caracaraí (RR) ou ao Estado do Amazonas. Dezesseis tartarugas morreram durante a captura ilegal ou em decorrência dos maus-tratos. As demais 362 tartarugas foram soltas perto de onde haviam sido encontradas.

"Elas aguentam ficar entre duas ou três horas submersas, mas permanecem mais tempo do que isso quando estão presas nas redes e morrem afogadas", conta o analista ambiental do Ibama, Diego Milléo Bueno. "As maiores, como ficam colocadas de costas para não fugir, sofrem desidratação e pressão dos órgãos sobre o pulmão. Elas são asfixiadas", relata.

Segundo informações do portal de notícias O Eco, quatro pessoas foram detidas pela Polícia Federal. Os suspeitos foram interrogados e assinaram um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO). Durante a operação também foram encontradas armadilhas, conhecidas como caça sacos, redes feitas com cordas e malhas grossas que ficam no leito do rio. Elas podem medir até 400 metros e, além de tartarugas, podem pegar também outros animais grandes, como botos e peixes-boi.

A operação continuará até 23 de dezembro, época considerada crítica. Nesse período, grandes praias no Rio Branco se formam em função da descida no nível do rio. Esses tabuleiros de areia branca são usados pelas tartarugas para desovar. Cada fêmea pode botar até 150 ovos, que são enterrados na areia e começam a eclodir em fevereiro. A situação é aproveitada por ribeirinhos e traficantes de animais: a tartaruga é um prato típico no natal e festas de fim de ano para os amazônidas.

Baixo Rio Branco

O Baixo Rio Branco, ainda de acordo com informações do portal, é uma das principais áreas de reprodução da tartaruga-da-amazônia. O nascimento de mais de 700 mil filhotes em um único ano já foi registrado na região. Porém, a partir da década de 90, a iniciativa que protegia a desova das tartarugas começou a definhar por falta de recursos. Em 2006, outro grande trauma: o agente ambiental José Santos Cruz foi morto a tiros por contrabandistas de tartarugas. A partir daí, continuaram as ações de fiscalização, mas cessou o monitoramento e proteção dos ovos.

Maior apreensão de quelônios

A maior apreensão de quelônios na região foi registrada em 2005, quando 680 animais foram encontrados com traficantes na região de Sororoca. No final do ano passado, também no Baixo Rio Branco, foram apreendidas 327 tartarugas. Seis pessoas foram presas durante uma operação semelhante a que ocorre atualmente.

Fonte: IBAMA
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