segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Desmate da Amazônia gera mais CO2 que total de carros do país




O desmatamento da Amazônia Legal, entre 2011 e 2012, liberou na atmosfera cerca de 245,3 milhões de toneladas de CO2. A afirmação é de Paulo Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) em entrevista ao portal G1. Este número representa mais que o dobro de todas as emissões do gás por carros e veículos de passeio leves (121,6 milhões de toneladas) no Brasil no mesmo período.

Barreto lembra que durante cálculo das emissões por veículos, foram desconsiderados os carros movidos a outros combustíveis que não gasolina, caminhões e motos.

O cálculo foi feito com base no monitoramento anual do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo dados do Ministério de meio Ambiente, de agosto de 2011 a julho de 2012, 4.656 km² de floresta foram desmatados - área equivalente a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Apesar dos dados alarmantes quanto ao desmatamento, ele é ainda 27% menor que o registrado anteriormente, no período entre agosto de 2010 e julho de 2011 (6.418 km²). Foi a menor taxa desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a fazer a medição em 1988.

O pesquisador estima ainda que, no período avaliado (de agosto de 2011 a julho de 2012), foram derrubadas 232,8 milhões de árvores na Amazônia - o que equivale a cortar mais de uma árvore por habitante do país. 

Ele também ponderou os prejuízos gerados à fauna. Segundo Barreto, foram afetados pelo desmatamento cerca de 8,3 milhões de aves e 270 mil macacos. Ele usou previsões que constam em um estudo do Museu Paraense Emílio Goeldi para chegar a estes números. "Acho que tem que comemorar que o desmatamento caiu 27%, mas o número restante ainda é muito alto", afirmou.

Para ele, a destruição da floresta amazônica não está contida. O pesquisador explica que é essencial ampliar medidas bem-sucedidas para proteger a floresta amazônica, como "melhorar a eficácia da fiscalização" e "demarcar e vigiar as unidades de conservação e as terras indígenas". A fiscalização deve agir principalmente "por meio do confisco de bens e equipamentos envolvidos em atividades ilegais", ponderou Barreto no levantamento.

Fonte: G1
Postar um comentário