segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Mudanças climáticas podem ter contribuído diretamente para extinções ocorridas nas eras geológicas



Uma nova pesquisa indica que mudanças climáticas podem ter sido agentes diretos de extinções ocorridas no início do período Triássico, entre 252 milhões e 247 milhões de anos atrás, e que a velocidade do atual aquecimento do planeta é compatível com a do período. Ao analisar isótopos de oxigênio, pesquisadores afirmam ter descoberto que a temperatura em regiões equatoriais chegou a níveis letais, principalmente nos oceanos, onde devastou algas e fez com que a maioria dos peixes e répteis marinhos (ictiossauros) fugissem para regiões mais frias.

Os pesquisadores explicam que para descobrir as mudanças de temperatura no período, estudaram a relação de isótopos de oxigênio, que mudam com a temperatura, em registros fósseis. "Esse índice é uma flutuação entre as temperaturas e a razão isotópica de oxigênio da água salgada. Podemos então calcular a temperatura da época com uma equação", explica Yadong Sun, das universidades de Geociências da China e de Leeds (Reino Unido).

No final do Permiano ocorreu aquela que talvez tenha sido a maior extinção em massa já ocorrida. A teoria mais aceita para essa extinção é a que culpa as chamadas armadilhas siberianas, grandes erupções vulcânicas que liberaram gases tóxicos e de efeito estufa, que fizeram o planeta sufocar. O problema no período era a anóxia, ou seja, a falta de oxigênio, e a acidificação na água.

No início do período posterior, o Triássico, há uma falta de formação de carvão (constituído por restos de seres vivos), o que indica que também ocorreu grande extinção na época. Agora, pesquisadores da China e da Europa fizeram uma medição da temperatura no início do Triássico e descobriram que o calor pode ter sido tão intenso que matou diretamente muitas espécies.

Segundo informações divulgadas pelo Portal Terra, durante a extinção em massa do Permiano, a temperatura ficou em média 30°C nos mares. Contudo, as armadilhas siberianas podem ter continuado a ejetar gases de efeito estufa na atmosfera, o que fez com que os cinco milhões de anos seguintes, o início do Triássico, fossem ainda mais quentes. A água, afirmam os cientistas, chegou a incríveis 40°C - para se ter ideia, atualmente a temperatura média na superfície oceânica varia entre 25°C e 30°C. Algas podem ter morrido diretamente por não conseguir fazer fotossíntese. Além disso, acima de 35°C, animais marinhos não conseguem oxigênio suficiente e, quanto maior e mais ativo o animal, mais oxigênio ele vai precisar. Sobreviveram apenas seres muito pequenos que suportaram o calor. Os demais foram para regiões mais frias, próximas dos polos.

Sun afirma que no Permiano, mesmo que a temperatura não tenha sido tão extrema, ela contribuiu para a extinção em massa. "Nós dizemos que um aumento de temperatura coincide com a extinção em massa do fim do permiano. Mas isso não necessariamente sugere que o aquecimento foi a causa principal (%u2026) nós dizemos que a temperatura aumentou rapidamente, mas chegou a apenas por volta de 30°C no final do Permiano. Nós sugerimos que 'fatores sinergéticos, como o aumento da anóxia, podem ter um papel importante na extinção marinha'".

David J. Bottjer, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), não envolvido no estudo, aponta que esse tipo de pesquisa ajuda a entender consequências do aquecimento pelo qual passamos. Ele afirma que nos próximos 100 anos a Terra pode ter um "clima estufa". "O oceano do futuro não vai apenas ser mais quente, mas mais ácido e vai ter grandes zonas com oxigênio reduzido", diz.

Fonte: AMDA
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