quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Fiocruz terá Grupo de Trabalho sobre Saúde e Biodiversidade




A criação de um Grupo de Trabalho sobre Saúde e Biodiversidade para prestar assessoria técnica e científica à Presidência e ao Conselho Deliberativo da Fiocruz foi anunciada na última reunião da Câmara Técnica de Saúde e Ambiente, realizada na Residência Oficial da Fundação. O GT deverá subsidiar posições, estratégias, diretrizes, programas, planos e ações institucionais e governamentais sobre a questão do impacto da biodiversidade sobre a saúde humana no país. 

Também deverá  acompanhar o desenvolvimento institucional da área de Saúde e Biodiversidade, por meio de análises periódicas das atividades. O grupo será composto por assessores da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde e por membros representantes das unidades da Fiocruz, designados por seus respectivos diretores. A reunião preparatória está prevista para o dia 22 de novembro. A reunião de instalação ainda não tem data marcada.

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, explicou que as Câmaras Técnicas assessoram o Conselho Diretor (CD) da Fundação. A partir das demandas do CD, as câmaras geram efeitos de estruturas, ações e programas. “Temos competências muito instituídas, mas não uma forma orgânica de juntar essas competências para dar respostas integradas aos desafios. A Câmara Técnica é importante para isso”, afirmou.

Fiocruz na Rio + 20

A participação da Fiocruz na Rio + 20 foi ponto importante da pauta da reunião da Câmara Técnica. A Fundação contribuiu para o registro, no documento final da Conferência, da importância da saúde no desenvolvimento sustentável, ressaltando a relevância dos determinantes sociais da saúde. A Fiocruz também promoveu debates com movimentos sociais e outras organizações da sociedade civil na Cúpula dos Povos e realizou atividades na Aldeia Kari-Oca, no campus da Mata Atlântica, e no Cais do Porto. O relatório de atividades da Fiocruz na Rio + 20 foi apresentado por Francisco Netto, do Escritório Fiocruz na Rio + 20.

Para o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Valcler Rangel, a participação da Fiocruz teve uma repercussão política forte nos eventos. “O Canal Saúde estimulou debates consistentes e, depois da Conferência, o Conselho Diretor da Fundação divulgou uma nota de protesto pelo assassinato de dois pescadores ativistas que participaram dos debates, violência que demonstra o grau de conflitos ambientais no Brasil”, acrescentou.

A pesquisadora Sandra Hacon sugeriu a edição de um livro sobre últimos cinco anos de atividades em saúde e meio ambiente na Fiocruz. “A Fiocruz teve participação em vários eventos grandes. Muita coisa está sendo feita nas diversas unidades, é preciso mostrar essa riqueza”, disse. Para ela, avançou-se politicamente, mas operacionalmente não. “Precisamos de uma agenda para os fóruns internacionais. A Fiocruz teve grande transparência e poder de mobilização, mas tem que dar continuidade a esse processo”, defendeu. A pesquisadora Marcia Chame concordou: “Temos que nos organizar para ganhar as brigas nas reuniões preparatórias, principalmente na Convenção da Diversidade Biológica (CDB), para o esforço não ser desperdiçado.”

Alexandre Pessoa lembrou que a Revista Poli fez um balanço da Rio + 20 numa perspectiva contra-hegemônica, mostrando as frustrações das expectativas que foram geradas e não contempladas. “A participação da sociedade foi muito superficial. Os movimentos já não acreditavam na auscuta. Insistimos que era fundamental a participação, mas o sectarismo foi flagrante. Pescadores e indígenas participaram, mas os favelizados não foram, só participaram de uma atividade sobre Saúde na Favela da Fiocruz”, lamentou.

Centro Colaborador OPAS/OMS: Fiocruz rumo à redesignação

Valcler Rangel ressaltou que está chegando o momento da redesignação da Fiocruz como Centro Colaborador em Saúde Pública e Ambiente da Organização Panamericana de Saúde (OPAS/OMS), e deverá se fazer uma revisão do que foi feito e prever, para o próximo período, uma ação mais integrada entre os programas, principalmente nas quatro grandes linhas estratégicas de ação: impactos dos grandes empreendimentos, saneamento, biodiversidade e mudanças climáticas. Ele acrescentou que há uma quinta área importante: a saúde do trabalhador, porém difícil de se tornar transversal como as outras, que perpassam todas atividades da Fundação.

“Trabalhamos um conjunto de agendas relacionadas, numa lógica construtivista. Induzimos, criamos GTs, fazemos articulações internas e externas, mas não em sequência cartesiana, e acho importante que seja assim. Os projetos, dentro dos seus eixos, tem que ter transversalidade nos conjuntos das ações. A interação com a cooperação social tem sido muito intensa”, relatou.

André Fenner, da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), apresentou uma proposta para o edital Saúde, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Rangel explicou que o fundamento do edital é induzir parcerias internas dentro das cinco grandes linhas estratégicas. “Devemos tentar olhar esse edital com um olhar coletivo, que atenda a uma perspectiva coletiva de construção institucional, com linhas e prioridades que fortaleçam a atuação da Fiocruz”, disse.

Saúde ambiental no SUS

Rangel defendeu o fortalecimento da agenda ambiental e da promoção da saúde dentro do SUS, “para sair da situação permanente de enxugar gelo”. O pesquisador André Monteiro Costa, da Fiocruz Pernambuco, afirmou que ainda não se conseguiu colocar a agenda da saúde ambiental na saúde pública. “É importante que se consiga alçar esses temas no Ministério da Saúde para ter efeito na saúde pública”, disse. Jorge Machado, da VPAAPS, defendeu a criação de um forum de saúde e sustentabilidade na Secretaria Executiva do ministério, que funcione como um espaço de integração institucional.

Fonte: Fiocruz
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