segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Utilização de agrotóxicos no Brasil é abusiva



Uma legislação permissiva e autoridades omissas colocam o Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, entre as nações mais atrasadas no controle de agrotóxicos. Dos 50 produtos químicos mais aplicados na agricultura, 22 são proibidos pela União Europeia (UE) e Estados Unidos, onde o controle sanitário é mais avançado, porém continuam sendo produzidos e utilizados em território brasileiro.

De acordo com estudos técnicos de várias entidades lançados neste ano e que corroboram alertas feitos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em anos anteriores, dentre os riscos à saúde, estes venenos causam cegueira, má formação fetal, câncer (em especial os de tireoide e mama), puberdade precoce, problemas respiratórios e disfunções renais.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda proibir dez substâncias, além de quatro que já tiveram sua retirada do mercado aprovada. Nesta lista se encontra o endossulfam que só deve ser proibido no ano que vem pela agência. Seus efeitos foram primeiramente notados num vilarejo na Índia, onde seis mil pessoas (cerca de 50% dos domicílios), a maioria crianças, apresentaram graves deformações físicas e neurológicas. Na UE, ele está proibido desde 1985.

Segundo o pesquisador da Universidade Federal do Mato Grosso, Wanderlei Pignati, que coordenou um estudo sobre agrotóxicos que foi apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre Sustentabilidade, a Rio+20, em junho, no Rio de Janeiro, "após a revolução verde (disseminação de práticas agrícolas, entre elas o uso de produtos químicos, que permitiu o aumento da produção nos anos 70), estamos vivendo a revolução vermelha. É um modelo químico-dependente que está causando um sério problema à saúde. Há evidências científicas disso há muito tempo".

Conforme o Ministério da Saúde, o uso indiscriminado de agrotóxicos causou 7.677 casos de intoxicação no país em 2009. "O Brasil é hoje o maior consumidor mundial de agrotóxicos e existe muita pressão das empresas para que esse modelo seja mantido. Há um esforço da Anvisa para controlar e proibir essas substâncias, mas as empresas entram na Justiça para barrar a discussão", explica a assessora jurídica da organização Terra de Direitos, Ana Carolina Brolo de Almeida.

Conforme publicação do portal Ambiente Brasil, em 2008, quando as discussões para a proibição das 14 substâncias se iniciaram, as empresas conseguiram suspender a publicação dos resultados dos estudos por dois anos. Em 2010, o processo foi retomado, mas devido ao atraso, as discussões não avançaram.

Outra medida banida pela UE, desde janeiro de 2009, e que continua vigente no país, é a pulverização aérea de plantações, que, no intuito de abranger a maior área possível de cultivo, também contamina o ar, solo, mananciais, estradas e até vilarejos a quilômetros de distância. "Além de prejudicial à saúde, a prática é ineficaz. Somente 1% do produto aplicado atinge o alvo. Os 99% restantes vão para o ar, água e solo", explica a pesquisadora do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Isabel Fontes Jardim.

Em Minas Gerais, a situação não é diferente. Conforme pesquisa do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), a presença de químicos e até de substâncias proibidas está em 14% da produção hortifrutícula de Minas Gerais, sendo o pimentão, alface e morango os que apresentam mais produtos químicos que podem causar riscos ao organismo.

Fonte: AMDA
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