segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Seca global gera temor de nova crise de alimentos



Uma alta nos preços dos alimentos, nos países de maior produção agrícola mundial, tem sido causada por uma onda de seca que tem marcado o ano de 2012, despertando receio de uma possível crise como ocorreu em 2008.

Os Estados Unidos passaram pela pior seca nos últimos 50 anos , na Rússia, também não houve chuva suficiente. Até mesmo a temporada de monções na Índia foi seca. Na  América do Sul, o índice pluviométrico ficou abaixo da média histórica.

Conforme publicação do G1, como resultado, algumas colheitas desabaram, provocando uma disparada, por exemplo, nos preços de cereais, que estão quase no patamar mais alto. Em 2008, um fenômeno semelhante provocou tumultos em 12 países e fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) convocasse uma reunião especial para lidar com a crise da alta do preço dos alimentos.

O receio de uma nova crise se repita tem foco principal na produção de milho dos Estados Unidos, mas a produção mundial de soja e de grãos também caiu.

Especialistas acreditam que, até agora, a crise não se agravou porque - ao contrário do que ocorreu em 2008 - grandes produtores rurais, como a Rússia, não impuseram restrições à exportação de alimentos para beneficiar os preços em seus mercados internos. "Eles estão sofrendo com a seca, mas estão honrando seus contratos de exportação", diz James Walton, economista-chefe da empresa especializada em alimentos IGD.

As diferenças entre 2008 e 2012 são: criação, em 2011, do Sistema de Informações do Mercado Agrícola, para a troca de dados de produção rural no mundo, tem tido um papel importante na prevenção de uma nova crise e o fato de que, atualmente, haver menos pressão dos mercados de biocombustíveis - um dos fatores relevantes na última crise. Naquela ocasião, preços recordes do barril de petróleo levaram a um aumento na demanda por combustíveis alternativos.

Apesar de os níveis de preços ainda não terem se aproximado dos picos de 2008, muitos dos mesmos fatores da crise anterior estão presentes, e os preços ainda estão acima das médias históricas.

O crescimento da população, que está provocando um aumento na demanda por grãos com alto teor de proteína e as variações climáticas bruscas estão cada vez mais comuns. Nem todos os especialistas relacionam o fenômeno ao aquecimento global, mas muitos alertam que o aumento da temperatura mundial está provocando uma queda no índice pluviométrico.

"A era da comida barata, que nós encarávamos como algo garantido, acabou. A oferta de comida continuará, mas não esperem que os preços caiam", diz Walton.

Fonte: G1
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