segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Recorde de derretimento no Ártico aumenta interesses econômicos na região



Foi registrado, neste ano, o recorde de derretimento da cobertura de gelo no Oceano Ártico, desde que as medições começaram a ser realizadas, em 1979. O cenário é exemplo vivo da elevação da temperatura da Terra, que se potencializa na região. Enquanto o Ártico derrete, aumentam os interesses econômicos na região. E, aos olhos de empresas e das oito nações que têm lugar garantido no Conselho do Ártico, o problema apontado pelos ambientalistas traz oportunidades econômicas.

O Ártico estoca 20% das reservas de petróleo e gás do mundo e vem se tornando a mais nova fronteira energética da atualidade. À medida que a camada de gelo derrete, mais fácil se torna o acesso a essas riquezas ainda intocadas e novas rotas comerciais vão se abrindo para o mundo.

Conforme reportagem do portal de notícias O Globo, o termômetro na região marca um aumento três vezes maior do que no resto do planeta. Cientistas alertam que o fenômeno é acelerado pela queima de combustíveis fósseis e que esse processo causará, cada vez mais, eventos climáticos extremos, como tempestades, inundações e secas.

No dia 20 de setembro, o Centro Nacional de Informações sobre Neve e Gelo (NSIDC, sigla em inglês) da Universidade do Colorado e apoiado pela Nasa, anunciou que a cobertura de gelo no Ártico havia atingido seu tamanho mínimo, registrando apenas 3,41 quilômetros quadrados de extensão. O número é 18% abaixo do registrado em 2007, ano do recorde anterior, e, numa comparação com o ponto mais alto de congelamento no inverno deste ano, significa o derretimento de quase 12 milhões de quilômetros quadrados de gelo.

"Se confrontarmos dados de satélite com o que estamos vendo, concluímos que há ainda menos gelo cobrindo o oceano. A imagem cala os céticos que dizem que o aquecimento global é apenas um processo natural. Atividades humanas são responsáveis por 60% do aumento das emissões de gases de efeito estufa desde 1979. Para evitar o desaparecimento do gelo, teríamos que reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis. Não é o que está acontecendo", avaliou a climatologista do NSIDC, Julienne Stroeve.

Para um dos maiores especialistas em gelo do mundo, o pesquisador Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, a situação atual do Ártico é um dos maiores desastres do planeta. Em 2007, Wadhams estimou que o gelo do local desapareceria entre os anos de 2015 a 2016. Na época, o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) considerou o cenário alarmista, projetando o degelo para 2050. Porém, cientistas do mundo inteiro estão revendo suas previsões, encurtando o tempo restante até que os verões no Ártico não tenham mais gelo na paisagem. Eles estão de olho em dados que já comprovam que, desde 1979, o Ártico perdeu 50% de sua cobertura.

"O gelo deverá desaparecer até 2016. Empresas veem isso como um bom negócio, porque haverá mais acesso à extração de petróleo na área de oceano aberto e mais facilidade de navegação. Por outro lado, o oceano descoberto absorverá mais calor, o que vai acelerar cada vez mais a própria causa do problema, o aquecimento global", diagnostica Wadhams.

De acordo com informações do portal, em parceria com Nick Toberg, o pesquisador conduz uma pesquisa que aponta que o Ártico reflete 70% dos raios de sol que alcançam placas de gelo. Se a cobertura desaparecer, o oceano absorverá tudo, esquentando o planeta numa velocidade equivalente a 20 anos de atividades humanas emitindo gases de efeito estufa.

Além da absorção de mais calor pelo oceano, o degelo faz com que o permafrost (solo composto por terra, gelo e rochas congelados) se desfaça, enviando à atmosfera grandes quantidades de metano, um dos gases mais nocivos do efeito estufa. Tudo isso afeta a manutenção do Ártico, ou "refrigerador da Terra", como é chamado.

Fonte: Greenpeace
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