segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Extração ilegal de madeira em todo planeta movimenta até US$ 100 bilhões por ano



A extração ilegal de madeira nas florestas tropicais em todo o planeta já responde entre 15% e 30% do comércio global e movimenta até US$ 100 bilhões ao ano. De acordo com relatório organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em parceria com a Polícia Internacional (Interpol), de 50% a 90% da exploração madeireira ocorrida na Amazônia, África Central e Sudeste Asiático é realizada pelo crime organizado.

No documento, entitulado "Carbono verde: Negócio sujo", as entidades afirmam que grupos criminosos estariam utilizando táticas para movimentar a cadeia madeireira e descrevem 30 formas engenhosas aplicadas para aquisição e "lavagem" de madeira ilegal. Métodos primários incluem falsificação de licenças de corte e subornos para obter licenças, além de invasão ilegal de sites do governo para obter registro de concessões ou alterar licenças ambientais.

Segundo o relatório, no Brasil, em 2008, cartéis ilegais do estado do Pará tiveram acesso ao sistema de transporte e licenças de corte, o que permitiu o roubo de cerca de 1,7 milhão de metros cúbicos (m³) de madeira. Na época, um procurador local acusou 107 empresas e 230 pessoas de envolvimento e processou as empresas em US$ 1,1 bilhão. Entre os principais importadores de madeira ilegal do Brasil estão Estados Unidos, União Europeia e China.

Pnuma e Interpol consideram também que métodos ilegais de exploração no país estariam relacionados à expansão agrícola de pequenos agricultores na região do Amazonas ou à expansão do cultivo da soja e da pecuária no Mato Grosso. De acordo com o órgão da ONU, a criação de gado é responsável por até 70% da perda de cobertura vegetal na Amazônia.

"A exploração madeireira ilegal pode roubar as chances de um futuro sustentável de países e comunidades, caso as atividades ilícitas sejam mais rentáveis do que as atividades legais de Redd (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação)", disse o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, durante divulgação do relatório.

Sistema internacional de combate ao crime organizado

Conforme reportagem publicada no portal de notícias G1, a Noruega financiou um projeto piloto para desenvolver um sistema internacional de combate ao crime organizado. Entre os principais objetivos da iniciativa estão o fortalecimento das investigações nacionais e centralização da concessão de licenças ambientais, o que facilitaria a transparência.

Além disso, haveria a classificação das regiões geográficas consideradas críticas, com o intuito de restringir o fluxo de madeira e outros produtos, além de incentivar investigações de fraude fiscal, com foco em plantações e usinas.

Fonte: Pnuma
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