segunda-feira, 10 de setembro de 2012

País tem mais de um milhão de quilômetros quadrados suscetíveis ao processo de desertificação



Segundo dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados do território brasileiro correm risco de se transformar em deserto. A área suscetível ao processo de desertificação envolve 1.488 municípios em nove Estados da Região Semiárida do Nordeste brasileiro, norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, este fenômeno é "a degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas". A desertificação é um processo em que o solo de determinados lugares fica cada vez mais estéril. Isso quer dizer que a terra perde seus nutrientes e a capacidade de fazer nascer qualquer tipo de vegetação.

De acordo com o coordenador da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Naidison Batista, a lógica do agronegócio, baseada na monocultura e no uso de agrotóxicos, contribui em grande parte para a degradação do solo, mas alertou que toda a humanidade é responsável por tentar conter esse processo. Para ele, a conscientização dos agricultores sobre manejo adequado da terra somada à difusão de tecnologias adaptadas ao Semiárido são elementos fundamentais para combater o processo de desertificação no país. Batista defende o uso das técnicas agroecológicas no combate e prevenção à desertificação: "O enfrentamento desse processo tem que ser feito por meio da prevenção e não remediando [o problema]. E nessa luta, a aplicação das práticas da agroecologia são fundamentais, porque elas preconizam o cuidado com a terra, a compreensão de que é preciso usufruir dela sem esgotá-la, sem objetivar apenas o lucro".

Após acompanhar o processo de degradação de sua propriedade de aproximadamente dois hectares, a pequena agricultora paraibana Angineide de Macedo, conheceu, com a ajuda de uma organização não governamental local, os benefícios do cultivo do nim indiano. A planta, que tem crescimento rápido e atinge uma altura de oito metros em três anos, ajudou a reverter as consequências da desertificação no local e a salvar a plantação de ervas medicinais que, segundo a agricultora, estava bastante prejudicada. "As plantas não resistiam muito, porque o sol castigava e elas morriam. Agora, com o nim, elas têm sombra e ficam protegidas do vento. As crianças também melhoraram, porque agora têm sombra para brincar e não ficam tão doentes com a poeira", contou ela, que também planta em sua propriedade hortaliças e legumes.

Segundo Batista, já existem muitas tecnologias sendo usadas no Semiárido e com resultados positivos. Uma delas, o Programa Um Milhão de Cisternas, implementado pela ASA, em parceria com o governo federal, agências de cooperação e empresas privadas, permite captar água da chuva para consumo humano por meio de cisternas de placas de cimento. A infraestrutura, com capacidade para 16 bilhões de litros de água, já está presente nas casas de aproximadamente 600 mil famílias.

O presidente do Comitê Científico das Nações Unidas para Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos de Secas (UNCCD), Antônio Rocha Magalhães, destacou que no Brasil o processo de desertificação atinge várias regiões principalmente do Nordeste. Os chamados núcleos de desertificação, onde a situação de degradação é mais crítica, são: Seridó, no Rio Grande do Norte, na divisa com a Paraíba; Irauçuba, no Ceará; Gilbués, no Piauí; e Cabrobó, em Pernambuco.

Fonte: Agência Brasil
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