segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Gaivotas são abatidas na Patagônia para evitar morte de baleias



Nos últimos anos, cerca de 60 baleias morreram após serem atacadas pelas gaivotas "picadoras". Estudos preliminares indicam que as baleias morrem em função de infecções provocadas pelas feridas deixadas por estas aves. O governo da província argentina de Chubut, na região da Patagônia, iniciou na última semana uma operação de abate dessas gaivotas no centro turístico da península Valdés, conhecido local de acasalamento e berçário do mamífero.

De acordo com o secretário de Ambiente e Controle de Desenvolvimento Sustentável, Eduardo Maza, haverá um abate seletivo das gaivotas. A operação envolve lanchas especiais com atiradores com armas carregadas de balas de ar comprimido e biólogos que vão agir longe da área frequentada pelos turistas. Serão eliminadas apenas aquelas gaivotas que atacarem baleias.

A operação deve durar entre 30 e 60 dias, dependendo dos dias hábeis para a navegação. Em uma segunda etapa, as gaivotas abatidas serão analisadas em laboratório, para tentar descobrir por que agem contra as baleias.

Maza afirma que este problema existe há mais de vinte anos e tem afetado o comportamento das baleias. Antes, as gaivotas atacavam somente baleias mortas, mas agora também agem contra as vivas. "Pela dor provocada pelas feridas, as baleias estão nadando mais rápido, estão passando mais tempo submersas e produzindo saltos de forma mais intensa. Tudo para se proteger das ações das gaivotas 'cozinheiras'", afirmou o ambientalista Alejandro Arías, da ONG Vida Silvestre.

O ambientalista salienta que a ação das gaivotas está provocando uma espécie de estresse nas baleias e, ao inves de cuidarem de suas crias, estão atentas para se protegerem dos ataques. Segundo especialistas, a baleia já não mostra o dorso inteiro com a mesma frequência de tempos atrás para buscar oxigênio fora da água.

Península Valdés

A península Valdés é conhecida internacionalmente como ponto de concentração da baleia Franca Austral e atrai cerca de 100 mil turistas por ano.

Especialistas explicam que a baleia chega ao local entre maio e dezembro para acasalamento e nascimento dos mamíferos. Entre 50 e 80 baleias nascem todos os anos na reserva natural, uma das maiores do mundo.

No passado, a baleia franca foi cassada quase até a extinção. Agora, está protegida por leis internacionais e em fase de multiplicação no mundo.

Fonte: AMDA
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