segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Biólogos alertam: mídia sensacionaliza o comportamento sexual animal



É comum entrevistados e especialistas julgarem que a mídia “sensacionalizou” ou divulgou informações errôneas sobre determinado assunto.

Isso, de fato, acontece bastante. Principalmente na cobertura de assuntos científicos, na qual muitos detalhes importam, algumas percepções podem ser mal interpretadas. Por exemplo, quantas manchetes sobre a “cura do câncer” você já viu, para depois entender que apenas um pequeno avanço foi feito, que deixou os cientistas mais próximos da conquista?

Recentemente, os pesquisadores Mark Brown, da Universidade de Londres (Reino Unido) e Andrew Barron, da Universidade Macquarie (Austrália), fizeram um alerta para a população: os relatos da mídia sobre sexo animal são muitas vezes sensacionalistas, e alguns “humanizam” nossos amigos animais, o que pode levar a um mal-entendido sobre a natureza da sexualidade humana.

Os biólogos examinaram 48 artigos de jornais sobre o comportamento sexual de animais nos últimos anos. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Brown chamou algumas manchetes de “bastante chocantes”. Os cientistas citaram como exemplo a cobertura sobre um estudo de 2007 que encontrou uma manipulação genética que poderia mudar o comportamento sexual em vermes nematoides. Esse estudo foi relatado com manchetes como: “A orientação sexual é genética em vermes, diz estudo”.

O problema com esse tipo de alegação, explica Brown, é que a orientação sexual é uma etiqueta social apenas para os seres humanos, não para os animais. Não podemos, de forma alguma, comparar as duas situações. Eles são tão diferentes da gente, que estes nematódeos não são sequer divididos em machos e fêmeas, como os seres humanos; suas populações são compostas de machos e hermafroditas.

Porém, o artigo dá a impressão de que a homossexualidade em humanos pode ser “curada” como um “interruptor genético”, como se fosse possível mudar um gene e fazer alguém deixar de ser homossexual, o que é, naturalmente, “um absurdo”, diz Brown.

No geral, os pesquisadores afirmam que o preocupante é ligar o comportamento sexual animal à orientação sexual humana, passando a ideia de que a sexualidade humana é uma simples questão de genes e hormônios. Dessa forma, essas matérias podem criar a percepção de que a não heterossexualidade seja uma anormalidade ou doença.

“É muito importante que esta ciência seja retratada corretamente, porque, enquanto em algumas áreas do mundo, os membros da comunidade LGBT podem viver abertamente sem serem discriminados, em muitos países eles ainda estão sofrendo por serem eles mesmos”, afirmou Brown.

Os pesquisadores também deixam um alerta aos cientistas que fazem esses estudos sobre comportamento sexual animal. Segundo Brown e Barron, as melhores reportagens foram resultado de estudos em que os cientistas se recusaram a confundir o comportamento humano com o animal.

Por exemplo, em 2008, a bióloga Lindsay Young se negou a comparar o seu trabalho sobre o comportamento de albatrozes fêmeas que se relacionavam à mulheres lésbicas. “Lésbica é um termo humano. Este estudo é sobre o albatroz”, disse ela.

Apesar de sua recusa em fazer a conexão humana, a pesquisa de Young foi noticiada amplamente. “Eu não acho que você necessariamente tem que fazer uma comparação com os seres humanos para obter a cobertura de seu trabalho”, opinou.

Fonte: Hyper Science
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