sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Zoológicos americanos investem em reprodução de animais ameaçados em cativeiro



Com o número de animais em extinção aumentando e seus habitats naturais sendo destruídos cada vez mais, zoológicos dos Estados Unidos estão tentando reproduzir em cativeiro cerca de 160 espécies ameaçadas. Embora o acasalamento na natureza pareça algo natural e primitivo, em cativeiro ele pode ser bem mais complicado.

Cerca de 83% das espécies atualmente mantidas em jardins zoológicos americanos não estão cumprindo as metas estabelecidas para a manutenção de sua diversidade genética, de acordo com relatórios da Associação de Zoológicos e Aquários. No caso dos guepardos, menos de 20% das espécies nos zoológicos americanos não têm sido capazes de reproduzir.

Além de preservar espécies ameaçadas, os programas de procriação também garantem que os zoológicos possam continuar ativos. Até os anos 1970, estes estabelecimentos tinham permissão para capturar os animais que quisessem exibir. Entretanto, com a crescente consciência sobre a vulnerabilidade de várias espécies, criaram-se diversos tratados para protegê-las, como a Lei das Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos de 1973 que restringiu as importações de animais ameaçados, mesmo para os zoológicos.

Desde então, os zoológicos começaram a ter programas de melhoramento genético coordenados para espécies ameaçadas. Em 2000, a Associação inaugurou um Centro de Gerenciamento Populacional coordenado pelo Zoológico Lincoln Park, em Chicago, para realizar análises demográficas e genéticas detalhadas do cruzamento entre animais, em extinção ou não, em 235 zoológicos. Os membros deste projeto estabeleceram recomendações sobre a melhor forma de reproduzir cada uma dessas espécies.

Guepardos

"Os zoológicos precisam descobrir como acasalar guepardos e muitos outros animais em cativeiro para criar populações de reserva destes animais antes que sua situação na natureza fique insustentável", disse Jack Grisham, que coordena o plano de reprodução de guepardos há 20 anos. Porém, a pequena taxa de sucesso decepcionou alguns conservacionistas que questionaram se os zoológicos devem tentar a procriação. Muitos dizem que preferem ver o dinheiro redirecionado para preservar habitats e espécies selvagens.

Anualmente o Zoológico Nacional Smithsonian, em Washington, gasta cerca de US$ 350.000 na tentativa de procriação de guepardos em seu campus de 3.200 hectares em Front Royal que abriga outras 18 espécies. Este orçamento sustenta a coleta de dados e a logística de longa distância para encontrar o par perfeito, entre outras despesas. Programas similares existem em quatro outros centros nacionais coordenados por zoológicos.

No entanto, apesar de duas décadas de esforços sustentados, a população cativa de 281 guepardos na América do Norte dá à luz apenas 15 filhotes, em média, por ano, exatamente a metade do que os seus detentores estimam ser necessário para manter um nível saudável de substituição.

Os guepardos são muito mais sensíveis do que seus parentes leões e tigres, por exemplo, que se reproduzem com facilidade. Mas eles não são tão difíceis de se reproduzir como os pandas - estes não produziram um filhote sequer em cativeiro nos Estados Unidos desde 2010.

Embora não estejam criticamente em risco, a população mundial de guepardos despencou. Na virada do século 20, cerca de 100.000 chitas vagavam da África para o Mediterrâneo e para a Índia. Hoje, as autoridades estimam que de 7.000 a 10.000 permanecem na natureza como resultado da perda de habitat, caça ilegal e conflitos com agricultores e pecuaristas.

Com informações do Portal iG
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