segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pesquisador da Unesp descobre nova espécie de sapo em miniatura



Um pesquisador da Unesp (Universidade Estadual Paulista) descobriu uma nova espécie de sapo em miniatura em uma reserva ecológica na região norte do Paraná. Identificado pelo biólogo Michel Varajão, o animal mede cerca de 1,5 centímetro e tem três dedos nas patas dianteiras como característica, ao contrário de outras espécies similares, que na maioria têm quatro dedos.

Batizado de Brachycephalus tridactylus, o sapinho possui cor amarelo-alaranjada, com suaves manchas cinzas na lateral do corpo, segundo o biólogo. Ele foi encontrado na parte mais alta da Reserva Natural Salto Morato, próximo ao litoral norte paranaense.

"O grupo destes sapinhos se diferencia pelo tamanho reduzido e pelas cores chamativas. Há animais amarelos com vermelho, ou os que tem um pouco de tom de verde na pele. Algumas características ósseas também os diferenciam", ressalta Varajão.

Durante o mestrado, Varajão fez seus estudos na área mais baixa da reserva ecológica. No entanto, ele decidiu explorar a serra do parque, a cerca de 900 metros de altitude, em fevereiro de 2007. O sapinho foi encontrado por acaso durante esta expedição, diz o biólogo.

"A intenção era pesquisar novas espécies, mas eu não sabia se encontraríamos ou não.  Achamos inclusive mais espécies no local que já são conhecidas", diz Varajão. O terreno da reserva natural, mantido por uma fundação ligada a uma empresa, antigamente era parte de uma área de fazendas. "A área de baixada [do parque] era usada para a criação de búfalos e monoculturas", ressalta.

Com a criação da reserva, foram adotadas medidas de restauração da floresta, que com o tempo vem sendo recuperada.

Algumas espécies de animais são sensíveis à mudança de vegetação que ocorreu com a criação das fazendas, afirma Varajão.

O sapinho recém-descoberto foi descrito na revista científica "Herpetologica", em julho.

"Tem muita coisa para pesquisar sobre o animal. Não sabemos o que ele come, quem são os predadores, quantos ovos eles colocam, em qual período se reproduzem", diz Varajão.

Os sapos de espécies parecidas com a recém-descoberta possuem uma toxina na pele, aponta o biólogo, que faz pós-doutorado em ecologia de anfíbios na Unesp de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Fonte: G1
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