sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Botos cor-de-rosa são mortos e utilizados como isca para pesca de peixe com pouca aceitação no país



Para driblar a rejeição do consumidor à piracatinga (Callophysus macropterus), peixe pouco nobre também conhecido como urubu d'água por comer animais mortos, o animal ganhou novos nomes no mercado amazonense como "douradinha" ou "piratinga". Segundo informações da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), o aumento da captura da piracatinga está associada aos casos cada vez mais comuns de matança de botos cor-de-rosa, uma das espécies lendárias da Amazônia. A gordura do boto é um excelente atrativo para pesca da piracatinga.

O monitoramento dos botos na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá, realizado há 17 anos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), indica que o número de botos cor-de-rosa, conhecidos também como botos-vermelhos (Inia geoffrensis), está diminuindo 10% por ano em diversas regiões da Amazônia.

Com o objetivo de denunciar a matança dos botos, a Ampa divulgou na internet vídeo que mostra pescadores abatendo esses animais na região do baixo Rio Purus e baixo Rio Negro, nas proximidades de Manaus. Após o uso de arpões para a captura, os botos são abatidos com fortes golpes na cabeça. A carcaça do animal é colocada em gaiolas de madeira e, assim, atraem as piracatingas.

Embora não seja muito apreciado no Brasil, a piracatinga tem boa aceitação na Colômbia, para onde é enviado para venda, sem fiscalização, pelo porto de Tabatinga, situado a 1.108 quilômetros de Manaus. O peixe chega à Bogotá, capital do país, onde é transformado em filés antes de ser vendido no mercado doméstico ou exportado para o Japão.

Fonte: Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa)
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