sexta-feira, 20 de julho de 2012

Governo pode reduzir área de mais uma unidade de conservação na Amazônia



A Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no sul do Pará, é o maior conjunto de unidades de conservação do país. Ela foi criada em 2006, com mais de 1,3 milhão de hectares, para diminuir o desmatamento da Amazônia trazido pela BR-163, estrada que liga Santarém a Cuiabá. Além disso, permite o uso sustentável de recursos florestais.

Desde o momento em que foi criada ela sofre pressões para ser reduzida. Em 2009, a flona foi palco de uma megaoperação do então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que apreendeu e leiloou milhares de cabeças de gado. Agora, no entanto, parece que o governo já pensa em ceder à pressão e reduzir os limites da floresta.

Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (16) no jornal O Estado de S. Paulo, o governo já estuda uma forma de reduzir em um terço – ou mais – a área da floresta. O principal defensor da redução seria o deputado Zé Geraldo (PT-PA), e seu motivo seria a regularização de terras. De acordo com a reportagem, cerca de 500 famílias vivem hoje dentro dos limites da unidade de conservação. Se todas essas famílias fossem retiradas e indenizadas, o governo seria obrigado a pagar milhões em indenizações e realocar a população. A solução mais simples para o problema seria regularizar essas famílias e permitir a produção agropecuária no local.

Esses argumentos, no entanto, não devem convencer os ambientalistas. Primeiro porque a grilagem de terras públicas no Pará ainda é comum. A própria ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse ao Estado que “é preciso separar o joio do trigo”. Ou seja, algumas famílias podem estar vivendo dentro da unidade de conservação porque não têm para onde ir, mas outras podem ter invadido aquelas terras para lucrar com a regularização.

Em segundo lugar, os ambientalistas enxergam essa proposta como parte de uma campanha para reduzir a proteção ambiental no Brasil, tanto em terras privadas – caso do Código Florestal – quanto em terras públicas, como a recente mudança de limites de oito unidades de conservação para permitir a construção de usinas hidrelétricas.

Fonte: Blog do Planeta
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