segunda-feira, 16 de julho de 2012

Corantes despejados em mananciais prejudicam biota marinha


Classificados como contaminantes emergentes, os corantes trazem danos para a fauna e flora marinha e representam risco iminente para a saúde humana. Pesquisadores do Laboratório de Ecotoxicologia e Microbiologia Ambiental Prof. Dr. Abílio Lopes (LEAL), da Faculdade de Tecnologia (FT) da Unicamp, estão utilizando organismos aquáticos para identificar os impactos provocados pela presença de corantes em rios e córregos do Estado de São Paulo e advertem: mesmo em pequenas concentrações, esses materiais já causam a morte e o atraso na regeneração de organismos aquáticos.

De acordo com a coordenadora do LEAL, professora Gisela de Aragão Umbuzeiro, os testes ecotoxicológicos realizados no laboratório têm demonstrado que alguns corantes são bastante tóxicos, pois causam efeitos deletérios, ainda que em pequenas concentrações. "Cerca de 100 microgramas de corante por litro de água já são suficientes para provocar, por exemplo, a morte de organismos como a pulga d'água, um microcrustáceo, e inibir o crescimento de algas de água doce, ambos de elevada importância dentro da cadeia trófica", afirma a pesquisadora. Até o momento, o manancial mais trabalhado pela equipe do LEAL foi o Ribeirão dos Cristais, situado em Cajamar, cidade da Região Metropolitana de São Paulo.

Conforme explicou Gisela, assim que efluentes contaminados por corantes foram detectados no ribeirão, a indústria foi notificada. Atualmente, a empresa de saneamento coleta os efluentes e, apenas depois de passar pela estação de tratamento de água, estes são despejados no rio. "Foi uma medida paliativa, visto que a questão ainda não está totalmente resolvida, pois o impacto ao ambiente persiste. Nós continuamos coletando amostras de água do ribeirão e observamos que os corantes seguem presentes", pontua.

O grande objetivo do LEAL, de acordo com sua coordenadora, é, a partir das avaliações de riscos, estabelecer valores seguros que possam preservar a biota e, consequentemente, a saúde da população. "Nós queremos dizer para a sociedade o seguinte: tais concentrações são aceitáveis, pois não representam risco para o ambiente ou o homem. Com isso, nossas autoridades também terão elementos para criar regulamentações que permitam estabelecer maior controle em torno desses contaminantes emergentes", ressalta Gisela.

A pesquisadora destaca ainda que o problema da contaminação da água por corantes ocorre principalmente em nações emergentes como Brasil, Índia e China, onde os tecidos são tingidos. "Os países ricos compram o tecido pronto. É aqui, onde a produção está concentrada, que parte das substâncias utilizadas para dar cor às roupas vai para os rios e córregos. Estou falando da indústria têxtil, por causa do grande volume de água utilizado pelo setor na fase de produção. Entretanto, outros segmentos, como o alimentício e o de cosmético, também fazem uso de corantes", pontua.

Na opinião da pesquisadora, o melhor modo de enfrentar o problema da contaminação por corantes é agir no processo de tratamento de efluentes das indústrias. Os sistemas utilizados atualmente, segundo Gisela, não foram desenhados para remover esses compostos. Normalmente, o que se faz é filtrar e/ou tratar os efluentes biologicamente e adicionar cloro para então lançá-los nos mananciais. "Isso não é suficiente. Ainda que, em alguns casos, a cloração faça com que a cor desapareça parcialmente da água, os contaminantes persistem. Ademais, tal procedimento pode gerar outros tipos de compostos ainda mais tóxicos do que os presentes originalmente nos efluentes", alerta.

Fonte: AMDA
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