segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tiranossauro chinês era coberto de penas



A imagem de um tiranossauro de uma tonelada e meia recoberto por penugem semelhante à de um pintinho parece até campanha para desmoralizar o mais temível dos dinossauros. Mas é a mais pura verdade, dizem cientistas da China e do Canadá.

Na edição de hoje da revista científica "Nature", os paleontólogos descrevem o maior dino penoso já descoberto, um membro do grupo dos tiranossauros que eles batizaram de Yutyrannus huali. É um bicho menor e mais primitivo que o célebre Tyrannosaurus rex, o tiranossauro por excelência. Media uns oito metros da ponta do focinho à ponta da cauda, contra quase 13 m do T. rex.

A equipe liderada por Xing Xu, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências, achou três esqueletos quase completos do bicho (um deles sem a cauda) na região de Liaoning, nordeste da China.

Liaoning é o paraíso dos dinossauros emplumados. Graças a cinzas vulcânicas de 125 milhões de anos que "mumificaram" os animais do passado, a preservação de tecidos moles, como as penas, é comum nos fósseis de lá.

No tiranossauro chinês, as longas penas filamentosas, de um tipo já visto em outros dinos, aparecem com destaque na cauda, no pescoço e nas patas da frente.

Como a preservação das penas nos fósseis é aleatória, a distribuição delas por várias partes do corpo indica uma presença "extensa" das estruturas no bicho vivo, argumentam os pesquisadores.

GRANDE DEMAIS

O surpreendente, no entanto, é achar um dinossauro gigante como o Yutyrannus com essa cobertura de penas. Embora os cientistas já tenham descoberto dezenas de dinos emplumados, são todos bichos pequenos.

Isso não tem a ver apenas com o fato de que os dinossauros que sobrevivem até hoje, as aves, precisam ser pequenas e leves para poder voar. (Antes que o leitor estranhe: sim, os cientistas hoje classificam as aves como dinossauros.)

Mas a maioria dos dinossauros com penas não era capaz de voar. Isso indica que a função original das estruturas era mantê-los quentinhos.

E, como bichos pequenos perdem calor com muito mais facilidade do que bichos grandes, fazia sentido que só os dinos da categoria peso-pluma fossem penosos.

"Animais grandes correm o risco de superaquecer [é por isso que elefantes e hipopótamos quase não têm pelos]", diz Corwin Sullivan, pesquisador da Universidade de Alberta (Canadá) e coautor do estudo. "Isso faz com que o Yutyrannus, que é grande e penoso, seja uma surpresa."

Uma explicação para essa esquisitice pode ser o frio que, segundo estimativas, fazia em Liaoning há 125 milhões de anos. A temperatura média giraria em torno dos 10º C. Também não se pode descartar a possibilidade de que as penas do bicho não tivessem recoberto todo o seu corpo, mas ficassem estrategicamente posicionadas para impressionar parceiros, por exemplo, como a cauda de um pavão.

O fato é que cada vez mais aumenta a lista dos grupos de dinossauros com aparência galinácea. Até 2009, por exemplo, achava-se que as penas eram exclusividade dos terópodes, o grupo dos dinos carnívoros. Nesse ano, porém, outro fóssil chinês mostrou a presença das estruturas em ornitísquios, dinos herbívoros com "bico".

Pode até ser, por essas e outras, que as penas sejam a "condição ancestral" dos dinossauros, algo presente desde a origem do grupo.

O próprio T. rex, por enquanto, escapou dessa vergonha. Os fósseis do animal com melhor grau de preservação trazem impressões de escamas, e não de penas.

Fonte: Folha Online
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