terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Estresse de cativeiro provoca calvície em canário, segundo biólogo



Nesta semana, um coleirinha e dois canários da terra foram apreendidos pela Polícia de Meio Ambiente de Uberaba. Um deles chegou a perder as penas da cabeça. A calvície do canário, segundo o biólogo Davi Santos Correia, pode ter sido provocada pela situação do cativeiro. “O animal quando recebe maus tratos ele passa por um nível de estresse muito grande”, explicou.

Um tucano não pode mais voar por causa de um trauma na asa direita. Ele também foi vítima de maus tratos. Há seis meses foi encontrado pela Polícia de Meio Ambiente de Uberaba após denúncia. A ave era mantida em cativeiro, provavelmente para a venda ilegal. Segundo o veterinário Claudio Yudi, as aves representam 70% do tráfico de animais na região. “O traficante não vê a saúde do animal. Ele quer vender para outro proprietário, então o animal é como um produto”, disse. No caso das aves, as que sobrevivem em cativeiro estão sempre acometidas com alguma doença. Nos últimos quatro meses, o Hospital Veterinário de Uberaba recebeu 25 animais vítimas do tráfico.

O tráfico de animais é crime e a pena é de seis meses a um ano de prisão. O infrator pode pagar de R$ 500 a R$ 5 mil por animal. Segundo a Polícia de Meio Ambiente, para camuflar o transporte irregular, algumas espécies passam dias em condições muito precárias. “É frequente abordarmos caminhonetes com gaiolas, animais juntos, sem água e sem alimento e até misturado com animais mortos. Há casos em que as pessoas cortam canos de PVC e colocam a ave dentro para ela não abrir as asas e fazer barulho”.

A consequência pode ser a extinção de algumas espécies nativas do cerrado. Duas já estão ameaçadas: o Caboclinho de Barriga Preta e o Papagaio Galego. “Essas espécies são muito sensíveis a alterações de hábito e junto com o tráfico de animais cada vez mais elas se tornam raras”, contou o biólogo Davi. “As aves são importantes, pois existe um controle biológico. Devido ao número excessivo de aves traficadas elas podem cada vez mais entrar em listas de animais em extinção”, finalizou Cláudio.

Fonte: G1
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