sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Decodificado genoma de ser humano extinto a partir de um fóssil



Pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, na Alemanha, concluíram a sequência do genoma de um denisovaniano, que é o representante de um grupo asiático de humanos extintos relacionados com os neandertais e considerados os parentes extintos mais próximos dos seres humanos atuais.

Liderada pelo biólogo sueco Svante Pääbo, a equipe de pesquisa já tinha apresentado, em 2010, uma versão preliminar do genoma de um pequeno fragmento de osso de um dedo humano que foi descoberto na Caverna de Denisova, no sul da Sibéria. As sequências de DNA mostraram que o indivíduo veio de um grupo previamente desconhecido de seres humanos extintos que foram denominados denisovanianos.

Durante a pesquisa, a equipe de Leipzig desenvolveu novas técnicas sensíveis que permitiram sequenciar cada posição do genoma denisovaniano cerca de 30 vezes, utilizando o DNA extraído de menos de 10 miligramas do osso do dedo. No projeto anterior, cada posição no genoma foi determinado, em média, apenas duas vezes. Este nível de resolução foi suficiente para estabelecer a relação dos denisovanianos com os neandertais e os humanos de hoje, no entanto, tornou impossível para os pesquisadores estudar a evolução das partes específicas do genoma.

A versão completa de agora permite compreender mesmo as pequenas diferenças entre as cópias de genes que o indivíduo herdou da mãe e do pai - e que o distinguem dos outros.

"O genoma é de altíssima qualidade", disse Matthias Meyer, pesquisador que desenvolveu as técnicas usadas no projeto. "Nós cobrimos todas as sequências não repetitivas de DNA no genoma denisovaniano por tantas vezes que este ficou com menos erros do que a maioria dos genomas de hoje em dia".

Esta é primeira sequência completa de genoma de um grupo arcaico humano e representa um salto no estudo sobre os seres já extintos. "Esperamos que os biólogos sejam capazes de usar esse genoma para descobrir as alterações genéticas que foram importantes para o desenvolvimento da cultura humana moderna e da tecnologia, e que permitiram aos humanos deixarem a África e rapidamente se espalharem pelo mundo, em torno de 100 mil anos atrás", diz Pääbo. O genoma também pode revelar novos aspectos da história dos denisovanianos e dos neandertais.

O grupo planeja apresentar um relatório descrevendo toda a pesquisa do genoma ainda este ano, e deve torná-lo gratuito e acessível a todos. "Acreditamos que muitos cientistas vão achar útil esse tema", diz o estudioso.

O osso do dedo usado no estudo foi descoberto pelos professores Anatoly Derevianko e Michail Shunkov, da Academia Russa de Ciências, em 2008, durante escavações na Caverna de Denisova, um sítio arqueológico com camadas culturais que indicam ocupação humana iniciada há 280 mil anos. O osso foi encontrado em uma camada que data de 50 mil e 30 mil anos atrás.

Fonte: Estadão.com.br
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