quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Árvore exótica plantada há 40 anos está destruindo a Mata Atlântica



Uma muda de árvore exótica plantada por um morador da região há 40 anos, está destruindo a Mata Atlântica na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Refúgio do Macuco, nas cabeceiras do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC). Plantas e animais invasores (exóticos, isto é, trazidos de outros lugares) são a segunda causa de perda de biodiversidade, ficando atrás somente do desmatamento. Na RPPN, o poder de invasão e destruição do bioma é causado pela árvore conhecida como pé-de-galinha ou uva-do-japão (Hovenia dulcis).

A árvore exótica invasora pé-de-galinha é nativa do Japão, leste da China, Coréia até a cordilheira do Himalaia. Esta cresce em áreas abertas de solos úmidos arenosos ou argilosos. A árvore foi introduzida no Brasil como uma espécie ornamental e para produção de lenha nas propriedades rurais, mas não foi aprovada pelos agricultores.

Os frutos do pé-de-galinha são saborosos e apreciados por toda a fauna de aves e mamíferos. Por ser doce, parece que os animais silvestres preferem esses frutos importados aos nativos. No Refugio do Macuco há oferta de uma grande diversidade de frutos das árvores da Mata Atlântica que chegam a forrar o chão e apodrecer na mesma época. Mas os animais preferem consumir a importada, os frutos do pé-de-galinha, mesmo correndo risco de serem atingidos por tiros ou caírem em armadilhas quando frequentam as propriedades do entorno.

Esta concorrência é um problema que desencadeia outro, com graves consequências futuras. A fauna dissemina milhares de sementes para o meio da mata nativa preservada e, ao longo dos anos, as árvores nativas vão perdendo espaço ao serem substituídas pelo pé-de-galinha, que pode fornecer frutos para alimentar a fauna somente durante duas ou três semanas - ao contrário da diversidade de árvores do bioma, que fornece frutos o ano todo.

A situação na RPPN Refúgio do Macuco serve de alerta. Fica evidente que o pé-de-galinha é uma espécie de árvore invasora muito perigosa, com poder devastador de aniquilar a Mata Atlântica e toda sua rica biodiversidade de plantas e animais em poucas décadas. A árvore começa a colonizar a mata ciliar, onde incide mais luz, e vai se expandindo para dentro da mata, substituindo gradualmente as espécies nativas.

Em uma pequena área da RPPN Refúgio do Macuco, já foram abatidas mais de 500 árvores adultas de pé-de-galinha, que deixaram milhares de mudas, muitas delas plantadas pela fauna bem distante do local, na parte de mata primária. Há estimativas de que sejam necessários mais de 50 anos para erradicação desta invasora.

Fonte: AMDA
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