quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sistema quer prever o que acontecerá com corais


Foi inaugurado ontem em Arraial d"Ajuda, no sul da Bahia, o primeiro mesocosmo de corais da América Latina. Trata-se de um sistema intermediário entre um aquário e um experimento em ambiente natural, no qual uma estrutura formada por 16 tanques será controlada para a simulação de quatro condições ambientais diferentes.

Uma tubulação de 500 metros permite a captação de água do mar, direto da região na qual existem os únicos recifes de coral da América Latina, que se entendem do sul da Bahia até o parcel de Manuel Luís, no Maranhão.

"Teremos o melhor dos dois mundos: no ambiente natural, trabalha-se em condições reais, mas se tem pouco controle sobre elas. No aquário, pode-se controlar tudo, mas não se consegue reproduzir por muito tempo um ambiente natural", explica o pesquisador e biólogo Emiliano Calderón, biólogo do Museu Nacional.

O objetivo do experimento é muito simples: saber como os corais e os organismos que dependem de sua estrutura vão se comportar daqui a 50 ou 100 anos, se a temperatura e a acidez da água seguirem aumentando, como afirma o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC). "A ideia é usar o mesocosmo como uma máquina do tempo, trabalhando com diferentes condições de pH e temperatura da água", compara Calderón. "Um aumento de apenas 1°C na temperatura da água em certa região pode gerar desequilíbrio na relação entre os corais e as algas que permitem sua reprodução", explica.

Pesquisa. A empreitada é uma iniciativa da ONG Projeto Coral Vivo, com patrocínio da Petrobrás (R$ 3,6 milhões), e do Arraial d"Ajuda Eco Parque, que cedeu em comodato uma área para a estrutura. "O projeto inclui ações de educação ambiental, capacitação de professores e apoio a pesquisadores que queiram desenvolver trabalhos lá", explica o coordenador do Projeto Coral Vivo, Clóvis Castro.

Até agora, dez pesquisadores de quatro diferentes instituições já estão cadastrados para trabalhar no mesocosmo. "Qualquer pesquisador poderá se inscrever para realizar estudos no local, que tem uma equipe multidisciplinar", diz Castro.

O experimento fica na área de visitação do parque e poderá ser visto pelos veranistas e visitantes através de uma grossa parede de vidro. "São experimentos muito sensíveis e não podemos deixar que as pessoas cheguem muito perto, como fazem num aquário", explica Castro.

A Petrobrás patrocina o projeto até o verão de 2013.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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