segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Estudo explica mecanismos da evolução


Embora a evolução seja um processo constante e que, em alguns momentos, acontece de uma forma rápida, os cientistas constataram que as mudanças que perduram demoram um milhão de anos a acontecer.

Um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences” e que foi realizado por investigadores da Universidade de Oregon, nos EUA, ajudou a resolver um velho debate e a aparente contradição entre mudanças evolutivas de curto e longo prazo.

Pela primeira vez, foram combinados dados de períodos curtos entre dez e cem anos com outros de períodos mais longos, em registos fósseis de mais de cem milhões de anos. Desta forma, estudou-se em conjunto a rápida evolução observada por biólogos em espécies contemporâneas; as mudanças lentas e estáveis observadas por paleontólogos; e as diferenças drásticas e macro-evolutivas entre os tamanhos e formas das espécies.

A análise destas informações mostrou que as mudanças rápidas em populações localizadas nem sempre persistem. Exemplo disso é o fato de os seres humanos serem entre cinco e oito centímetros mais altos do que eram há 200 anos. Tal não implica que este processo vai continuar, tornando a população 60 centímetros maior dentro de dois mil anos.

De acordo com Josef Uyeda, líder da investigação, as mudanças rápidas são uma realidade, mas nem sempre são duradouras. Por motivos ainda desconhecidos, os dados mostram que as alterações observadas a longo prazo são muito lentas. A equipe de cientistas calculou que, em média, demora um milhão de anos para que as grandes mudanças persistam e se acumulem ao longo das gerações.

O cientista explicou que para uma mudança evolutiva persistir numa espécie, a pressão ambiental que a encaminhou também precisa de perdurar. "Não se trata apenas de uma mutação genética que toma o controle", disse Uyeda, acrescentando que "as adaptações evolutivas são causadas pela força da selecção natural e isso é mais lento e raro do que imaginamos".

Embora lento, o processo é “implacável”, na medida em que a maioria das espécies muda tanto que raramente dura mais do que dez milhões de anos, antes de desaparecer completamente ou dar origem a uma nova espécie.

A causa exata das mudanças de longo prazo não é clara. Os cientistas afirmam que as mudanças climáticas não parecem ser a única força envolvida porque muitas espécies não sofreram praticamente nenhuma alteração durante períodos em que o clima se transformou drasticamente.

Fonte: Ciência Hoje

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